De volta à sala de aula
18 Setembro 2022
Estratégias para transformar a sala de aula em ambientes positivos e promotores de competências socioemocionais, desde o 1º dia



"Diga-me e eu esqueço. Ensine-me e eu lembro-me. Envolva-me e eu aprendo!" (Benjamin Franklin)


O mês de setembro é o mês dos recomeços depois de um período de férias. É a altura em que as crianças vão para a escola, os pais regressam ao trabalho e todas as rotinas voltam a fazer parte das famílias.

Nas escolas fervilham as emoções, com professores, educadores, auxiliares, pais e alunos ansiosos por (re)começar mais um ano escolar, cheio de expetativas e objetivos por concretizar.

As abordagens baseadas na aprendizagem socioemocional (SEL – Social and Emotional Learning) podem ser boas aliadas neste início da escola, pois promovem sentimentos de segurança, proteção e apoio em toda a comunidade educativa. Recordemos que o foco neste tipo de aprendizagem implica a criação de espaço para trabalhar as diversas áreas SEL – autoconsciência, autorregulação, competências relacionais, tomada de decisão responsável e consciência social.

Um dos aspetos mais importante no início do novo ano letivo é criar sentimentos positivos e de otimismo em relação à escola.

Os primeiros dias de escola são o momento perfeito para estabelecer um sentido de grupo nas salas de aula. É importante que os professores /educadores reservem um tempo para conhecer os seus alunos e dar-lhes uma oportunidade de conhecerem o professor. Isso ajuda a criar um ambiente acolhedor, colaborativo onde os alunos podem experimentar um sentimento de pertença, tão importante para o bem-estar.




Os professores podem começar por refletir sobre o que é importante saber sobre os seus alunos, perguntando a si mesmo “O que teria gostado que os meus professores, no passado, soubessem de mim?”

Deixamos alguns exemplos de perguntas que podem ser usadas nos primeiros dias de aulas e que promovem uma tomada de consciência e maior conhecimento entre todos e promovem o sentimento de que todos são, verdadeiramente, importantes no grupo:

  • Qual é o nome pelo qual gostas que te chamem? O que devemos saber sobre o teu nome?

  • Quais os teus maiores interesses?

  • Qual a tua maior força (aspeto positivo)? Dá exemplos de situações em que a usaste e fala sobre como te sentiste. Como podes usar essa força na sala de aula?

  • O que mais queres que saibamos sobre ti (para que possamos entender-te melhor)?

  • Que característica gostarias de desenvolver/fortalecer este ano?

  • Quais são as qualidades que procuras num professor?

  • Como posso apoiar /encorajar-te melhor? Como posso desafiar-te?

  • Como gostas de ser reconhecido pelos teus esforços?

  • Para ti, como seria o sucesso no final do ano?

  • O que precisas de nós, enquanto grupo, para ter sucesso?

 

Não esquecer que a construção de relações faz-se nos dois sentidos, por isso é igualmente importante que o professor consiga também partilhar algo sobre si e poder servir de modelo para os alunos.

Por outro lado, o início do ano letivo é o momento ideal para começar a construir um clima positivo na sala de aula.

Uma das primeiras coisas que muitos professores fazem é listar as “regras da sala de aula”. Muitas vezes, essa é uma lista de advertências que os professores apresentam aos alunos com o objetivo de manter a ordem – coisas como “pôr o dedo no ar…, “não levantar do lugar…”, “fazer silêncio”.

Embora todas essas regras sejam muito importantes para o comportamento em sala de aula, sugerimos uma abordagem alternativa.

Em vez disso, o professor pode trabalhar em conjunto com a turma para criarem uma espécie de “acordo de sala” ou carta de compromisso. Estes diferem das “regras da sala de aula”, pois são co-criados e incluem sugestões dos alunos. Aplicam-se tanto aos professores como aos alunos e incluem coisas que o grupo define ser importante, não apenas coisas que a turma quer evitar fazer. Por outro lado, tem em conta os objetivos dos alunos.

Criar acordos de sala pode ajudar o grupo a pensar em como se querem relacionar uns com os outros (exemplo: “falar um de cada vez” e “sem críticas”).

Neste início do ano também pode ser interessante pedir aos alunos que pensem sobre as condições que precisam para se concentrar e aprender melhor. O professor pode perguntar “O que precisas para te sentires seguro, confortável e motivado para aprender?” Esta pergunta pode suscitar respostas surpreendentes como: “Às vezes preciso de trabalhar sozinho; eu preciso de me levantar algumas vezes; preciso que as janelas estejam fechadas para não me distrair; preciso de me divertir enquanto aprendemos; preciso que as pessoas sejam gentis comigo; preciso saber que não há problema se cometer erros; preciso que me façam sinal quando estou distraído, ...".

As respostas podem ajudar a elaborar os acordos de sala, levando à reflexão e procura de estratégias para ir ao encontro das necessidades do grupo, em que todos se comprometem a seguir ao longo do ano.

Isto pode favorecer e criar um clima de sala de aula positivo, que permita que os alunos façam o seu melhor e que se sintam motivados para cumprir os objetivos, pois sentem-se verdadeiramente comprometidos e envolvidos.

Outra sugestão é dar aos alunos a oportunidade, todos os dias, para refletir sobre o que estão a aprender. O professor pode pedir que elaborem um diário e escrevam, no final do dia, três coisas importantes desse dia ou dessa matéria. Isto vai ajudar a promover a tomada de consciência do que aconteceu durante o dia, de como o aluno se envolveu com as aulas, permitindo uma melhor adequação e gestão ao longo do tempo.

Não importa quantos anos de experiência de ensino o professor tem, pois todos os anos são diferentes, mesmo no caso do professor ficar com a mesma turma do ano passado. Cada grupo/turma tem as suas próprias particularidades, que são influenciadas pelas características dos alunos, pelas suas relações uns com os outros, pelas suas experiências e vivências (que mudam todos os anos) e pelas competências sociais e emocionais que, entretanto, desenvolveram.

Começar o ano promovendo uma maior consciência emocional, conhecendo bem os alunos e o seu conjunto único de necessidades, pode ajudar muito a criar um clima positivo na sala de aula e a impactar positivamente o resto do ano escolar.

A essência da aprendizagem SEL é garantir que os adultos que lidam com crianças entendam que a porta de entrada para a aprendizagem é através das competências e experiências sociais e emocionais das crianças. Abrir essa porta no início do ano letivo levará a um caminho mais tranquilo e positivo ao longo do ano.


Espreite aqui outros recursos que podem ajudar a promover a educação emocional na sala de aula.

 

Bom regresso e um excelente ano letivo!



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